GUERRA E PAZ - A ORDEM DE SANTIAGO EM PORTUGAL

GUERRA E PAZ - A ORDEM DE SANTIAGO EM PORTUGAL
Ficha técnica
Editorial:
EDIÇOES COLIBRI
Año de edición:
Materia
Historia
EAN:
9789896895334
ISBN:
978-989-689-533-4
Idioma:
PORTUGUES
Disponibilidad:
Agotado

19,62 €

No ano 1099, após uma mobilização sem precedentes, o mundo cristão Ocidental protagonizava a conquista de Jerusalém. Pouco tempo depois da primeira cruzada, em 1120, nascia a Ordem do Templo, a primeira a conjugar a vocação e as capacidades da cavalaria com as virtudes e os preceitos monásticos, uma fórmula inovadora, definida e exaltada por S. Bernardo de Claraval. A partir de então, este é o modelo adoptado pelas Ordens Militares que se criam no Oriente latino e no Ocidente, sujeitas a uma regra de vida comum e reconhecidas por Roma como o legítimo braço armado para a defesa da Igreja e da Cristandade. Quase todas seguiam a regra cisterciense mas a Ordem de Santiago era uma das  excepções, pois o ideário da sua normativa fundava-se nos princípios agostinhos. Ela configurava bem os preceitos doutrinais e militares inspirados pelo movimento de cruzada e transpostos para o contexto peninsular, então em pleno processo de expansão territorial dos seus reinos cristãos. Originária do reino de Leão, a Ordem vai alargar a sua intervenção a Castela e Aragão, recebendo amplas doações dos monarcas desses reinos. A formação de Portugal, enquanto espaço definido por uma fronteira e liderado por um monarca, contou com o envolvimento activo de várias Ordens religioso-militares - a do Templo, a do Hospital ou de S. João de Jerusalém, a dos freires de Évora (mais tarde designada de Avis) e a de Santiago - que, ao serviço  do rei e integradas nas suas hostes, eram a melhor expressão do profissionalismo militar de uma cavalaria motivada, bem treinada e bem  equipada. Temida pelo adversário, era factor de confiança para os contingentes de peões, maioritários nos exércitos de então, e para uma  população de cristãos e de muçulmanos (os que aceitaram permanecer sob a protecção régia portuguesa), em permanente instabilidade nos territórios de fronteira, que viam nas forças militares do reino e nos  miles christi uma esperança de sobrevivência e de paz. A eficácia em campo de batalha e a imagem cruzadística da época criaram em torno das  Ordens Militares uma auréola mística em que se mesclavam os princípios religiosos da cristandade Ocidental e a legitimidade de uma  expansão territorial com contornos particulares na península Ibérica.  Em Portugal desde 1172, a Ordem de Santiago logrou também obter múltiplos favores régios pelo seu desempenho nas conquistas a Sul do Tejo, tornando-se talvez a mais poderosa Ordem Militar das centúrias de duzentos e trezentos em Portugal. [Isabel Cristina Ferreira Fernandes, Comissária científica da exposição].