A LISBOA DE MIGUEL DE CERVANTES. Tierra, Tierra! Aunque mejor diria: cielo, cielo!

A LISBOA DE MIGUEL DE CERVANTES
Ficha técnica
Editorial:
EDIÇOES COLIBRI
Año de edición:
EAN:
9789896897215
ISBN:
978-989-689-721-5
Idioma:
PORTUGUES
Disponibilidad:
No disponible

Regressado do cativeiro em Argel, Miguel de Cervantes esteve uns meses  em Lisboa. Tinha viajado pela Itália meridional, participado na Batalha de Lepanto, vivido em cativeiro no Norte de Africa e desembarcado em Barcelona no seu regresso Península Ibérica, que depois veio a atravessar. Das costas mediterrƒnicas costa atlƒntica, na cidade do Tejo. Na sua última obra, Los trabajos de Persiles y Sigismunda, historia setentrional, publicada um ano depois da sua morte, em 1616, conta dos mares, ilhas e gentes do Norte e das terras e gentes do Sul por onde peregrinam os seus protagonistas  depois de desembarcar em Lisboa. Foi há 400 anos e este livrito pretende, modestamente, homenagear a obra e o autor. Um dos personagens do livro de Cervantes é Manuel de Sousa Coutinho - o futuro escritor portuguˆs Frei Luís de Sousa que Camilo tanto admirou e Garrett consagrou no seu drama romƒntico. Movido pela «curiosidade a procurar na novela de Cervantes a prova da amizade íntima», «ou sequer a prova de se terem conhecido», ao tempo em que ambos estiveram cativos no norte de Africa, Camilo Castelo Branco traduziu e comentou o episódio do «enamorado portuguˆs». Por isso, aqui se reproduz também parte desse texto de Camilo. Que o "leitor amantíssimo" de Cervantes disfrute, com muito gosto, de um livro enorme que o seu autor quis que fosse de entretenimento! Vale.
 Enfim, vendo eu passado o limite dos dois anos, voltei a suplicar a seu pai ma desse por esposa. Ai de mim, que não é possível deter-me nestas circunstƒncias, porque s portas da vida me está a chamar a morte e temo que não me vai dar já espaço para contar as minhas desventuras: que, se isso acontecesse, não as teria eu por tal!  Finalmente, um dia avisaram-me que, num domingo próximo, me entregariam a minha desejada Leonor, notícia esta que pouco faltou para tirar-me a vida, tal foi o meu contentamento. Convidei os meus parentes, chamei os meus amigos, fiz trajes de gala, enviei presentes, com todos os requisitos que pudessem mostrar ser eu quem me casava e Leonor a que ia ser minha esposa.